Insights
Notas técnicas e artigos
Estudos reprodutíveis e análises sobre observabilidade, medição e inteligência para redes de distribuição e transmissão.

Compensações de tensão que já não deveriam existir: o que poucos sensores na média tensão mudam no diagnóstico e na comprovação da regularização
Quando uma medição de 168 horas constata tensão fora dos limites, a distribuidora compensa o consumidor todos os meses até que uma nova medição comprove a regularização. Parte desse pagamento é evitável: ele continua depois de um conserto que já resolveu o problema, ou se repete porque o conserto foi feito no lugar errado. Esta nota quantifica o que poucos sensores sincronizados na média tensão mudam em duas decisões do processo: antes do conserto, dizer se a causa está na média ou na baixa tensão; depois do conserto, dizer se o consumidor já regularizou. Simulamos 13 tipos de problema (7 na média e 6 na baixa tensão) no alimentador de teste IEEE 34 com baixa tensão modelada, 188 casos e 5.948 consumidores compensados, com um modelo de cadastro realista: posição dos reguladores desconhecida, erros de carga, de impedância e de fase. Nos problemas de regulador, o estimador sem sensores acerta a origem do problema em 7 % a 33 % dos casos, porque acredita que o regulador está funcionando; com dois sensores, acerta em 93 % a 100 %. Depois do conserto, os erros sobre quem regularizou, que somavam 16 % a 48 % dos consumidores, caem para 4 % a 7 %. Nos problemas de baixa tensão, os sensores ajudam a descartar a média tensão como causa (acerto de 80–87 % para 93–100 %), mas não dizem se o consumidor regularizou: isso exige medição no próprio consumidor. Em dois tipos de problema, o modelo fica tão distante da rede real que o estimador não converge em 35 % a 60 % do tempo.

Por que o estimador de estados não fecha? Qualidade dos dados de carga, limpeza automática e o papel de poucos sensores
Em redes de distribuição, o estimador de estados depende de pseudomedidas de carga construídas a partir de medidores de clientes e curvas típicas, com cobertura incompleta, intervalos de integração diferentes, dados faltantes e clientes com geração própria cujo medidor não informa o sentido do fluxo. Esta nota quantifica, em três alimentadores de teste trifásicos (IEEE 13, 34 e 123 barras) com 30 % das cargas com geração fotovoltaica, o efeito desses defeitos sobre um estimador não linear de mínimos quadrados ponderados, e compara três caminhos: usar os dados como chegam, tratá-los antes da estimação e aplicar uma limpeza automática por resíduos normalizados. Com os dados sem tratamento, de 30 % a 53 % das estimativas são rejeitadas pelo teste de consistência, e o erro de tensão chega a 10 % em um a cada dez cenários no IEEE 34. O tratamento prévio reduz a rejeição para 0,5 % a 6 % e o erro mediano de tensão em 27 % a 50 %. A limpeza automática, sem medições na rede, mascara o problema: a rejeição cai, mas o erro não, e no IEEE 34 o estimador deixa de convergir em 12 % dos casos. Com dois a quatro sensores sincronizados, a mesma limpeza passa a funcionar nos alimentadores menores, e dados tratados com quatro sensores levam o erro mediano de tensão a 0,10 % a 0,20 %. A carga individual de cada barra continua dependente da qualidade dos dados de clientes.

Quantos sensores, e onde? Alocação de medição sincronizada para estimação de estados trifásica em alimentadores de distribuição
Muitos alimentadores de distribuição só têm medição na subestação, e a estimação de estados ao longo da rede depende de previsões de carga com incerteza elevada. Esta nota mostra, em três alimentadores de teste trifásicos e desequilibrados (IEEE 13, 34 e 123 barras), quanto o erro de estimação cai quando pontos de medição sincronizada são acrescentados à rede, quanto a escolha desses pontos importa e que exatidão de medição e de sincronismo esse ganho exige. Com quatro pontos, escolhidos por um procedimento guloso e avaliados em cenários independentes, a média do maior erro de tensão por cenário cai 90 %, 94 % e 59 %, e o erro das correntes nos trechos cai 89 %, 82 % e 44 %. Se a subestação fornecer apenas as grandezas típicas de SCADA (módulo da corrente e potências), o caso sem pontos piora e a redução sobe para 91 %, 94 % e 65 %. A alocação otimizada leva o erro de tensão abaixo de 0,3 % com dois a quatro pontos, enquanto uma regra de espaçamento uniforme precisa de cinco ou não chega lá, e a média de alocações aleatórias não chega com oito pontos em dois alimentadores. Sincronismo com desvio-padrão de até 10 µs preserva ao menos 98 % do ganho. A carga individual de cada barra melhora muito menos quando há muitas cargas por ponto.